Azeitona de misericórdia…

janeiro 25, 2010

Acabou de jantar e pediu a conta, como de costume. Aquele dia resolvera ir sozinho ao restaurante, para tentar colocar as ideias em ordem e pensar um pouco na vida. Confessou ao garçom que tinha exagerado um pouco, pedindo um filé daquele tamanho só para ele. De quebra, ainda comeu a sobremesa e tomou um cafezinho. Estava quase sendo expulso da própria calça, já que tinha a sensação de não caber mais dentro dela. Preencheu o cheque e levantou-se sem pressa, ajeitando a cadeira e afrouxando um pouco o cinto.

Mas bastou uma olhada, em direção à porta de entrada, que agora era a única saída, para que ficasse pálido feito uma folha de sulfite em branco. Perdera toda a serenidade que sentia até então. Também, quem mandou ir ao lugar de sempre? Sua ex-mulher estava sentada à mesa, com o namorado novo, bem no caminho que precisava fazer para se livrar daquele constrangimento. Não sabia o porquê, mas não se sentia à vontade para falar com ela, nem ao menos para dar um simples “boa noite”, arrematado com um sorriso amarelo. O pior é que ela estava acompanhada e pareciam ter acabado de chegar.

Sem encontrar outra alternativa e antes que ela o visse, sentou-se novamente e pediu mais um chopp. As pessoas ao redor estranharam a cara que fazia. Parecia ter visto o diabo em pessoa, dançando a Macarena, numa Sexta-Feira Santa. Psicologicamente não estava preparado para enfrentar a situação. Aliás, nem sabia ao certo porque haviam terminado o relacionamento de tantos anos. Definitivamente não podia passar por ali. Tinha de haver outra saída. Não queria ser visto, de jeito nenhum. Já pensou o que falariam dele, pelas costas, se o vissem confraternizando com a ex e aquele que o substituíra?

Empurrou o chopp goela abaixo, matutando o próximo passo. Mas seria possível que aquele restaurante só tivesse uma porta para as pessoas entrarem e saírem? E se houvesse um incêndio, meu Deus? Uma catástrofe certamente mataria a todos. E aquilo era uma catástrofe. Pelo menos pra ele. Pediu um pudim e desabotoou o cinto por completo. Não cabia mais nada em seu estômago abarrotado… e os dois pombinhos ainda nem tinham começado a comer.

Pensou em anunciar o roubo do carro da ex, no auto-falante do restaurante, para que eles saíssem dali, pelo menos por alguns minutos, mas achou ridículo. Primeiro, por fazer isso de um lugar de onde mal dava para ver a rua; Segundo, por não saber qual era o carro do “Mandioca”, como começou a tratar o “rival”, desde então. Não tinha culpa se o sujeito se parecia com uma raiz retorcida.

Resolveu ficar mais um pouco. Comeu um flan, um petit gateau, um brigadeiro, bebeu uma garrafa de água mineral e nada. Nenhuma solução. Já quase sem poder respirar, deu o golpe de misericórdia: pediu uma porção de azeitonas, calculando que demoraria tempo suficiente para se livrar daquele martírio. Logo na primeira, não se lembrou de mais nada. Acordara horas depois, no hospital, com a ex e o Mandioca, sentados ao lado de sua cama, encarando-o. Mais tarde ficou sabendo que foram eles que o carregaram até ali, totalmente inconsciente, a pedido do maître. E agora? O que falariam dele?


E não se esqueça do filtro solar!

novembro 17, 2009


O som do silêncio.

novembro 17, 2009

Realmente não entendo esta nova leva de cantores mudos, criados pelas gravadoras e apresentados pelo Youtube e sites afins. Como bandas inteiras podem viver sem ter a chance de divulgar um novo trabalho ou mesmo de nos dar o prazer de “revisitar” aqueles mais antigos, se as gravadoras – principais interessadas neste conturbado mercado fonográfico – simplesmente ordenam que sejam retirados os sons de alguns vídeos disseminados pela Internet?

Dia desses, por exemplo, vi determinada banda, numa entrevista na TV, e fiquei curioso para conhecer um pouco mais do trabalho daqueles músicos. Para o meu espanto – e pela primeira vez –, me deparei com um vídeo dos caras tocando feito fantoches. E no meio da tela, sem meias palavras (me perdoem pelo trocadilho), a mensagem: “o áudio foi retirado por ordem da gravadora tal, que detém os direitos autorais…” A sensação imediata foi um misto de desapontamento, surpresa e ira. Ainda incrédulo, tentei ver mais alguns vídeos, falei com alguns amigos, buscando uma explicação mais racional… tudo em vão!

O fato é que nós, simples mortais, nunca vamos entender o verdadeiro motivo de tal “retaliação”. Qual seria o fundamento disso tudo? Penalizar a todos, por culpa de alguns poucos que fazem mau uso da tecnologia? Mostrar os vídeos sem áudio, não vai coibir a “pirataria”, monstro moderno e tão ameaçador. Pelo contrário. Quem realmente quer determinada música, não será parado por essa “barreira simbólica” e vai encontrar um meio de consegui-la no “mercado negro” – seja comprando dos chamados vendedores alternativos, ou baixando em sites e “mulas” da vida.

E digo mais! Tirar o som dos vídeos da Internet pode aguçar a curiosidade de quem não estava pensando em meios ilegais. Talvez o sujeito só esteja querendo ouvir – mesmo que por uma única vez – uma determinada canção ou assistir a determinado videoclipe. Porém, diante da assombrosa realidade das bandas caladas, seja obrigado a procurar outros caminhos mais “escusos”. Nem que se dê ao trabalho, para depois descobrir que não gostou do que viu e ouviu.

As gravadoras deveriam perceber que a divulgação dos serviços de seus “apadrinhados”, pela Internet, é benéfica e, consequentemente, mais lucrativa para todos os envolvidos. Está passando da hora de perceberem que a situação é de simples solução: basta facilitar o acesso de todos às obras fonográficas (objetos deste post), através de um esforço conjunto (e global) para diminuir o valor apresentado ao consumidor final. Outra sugestão, não menos importante, é que o governo reveja a carga tributária incidente sobre tais produtos.

Ah! Como se tudo isso não bastasse, eis a outra “sensação do momento”: vídeos que não podem ser incorporados no Orkut, blogs pessoais e sites assemelhados. Não podemos, sequer, dizer aos nossos amigos quais as nossas bandas favoritas. É proibido! Afinal, eles podem gostar e querer comprar os CDs e ir aos shows… Isso seria uma afronta às gravadoras, que detêm todos os direitos! E o silêncio foi instituído como palavra de ordem.


A importância das amizades…

novembro 8, 2009

amigos (1)


Rammstein – Amerika

outubro 17, 2009

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Piano stairs – Rolighetsteorin.se – The fun theory

outubro 12, 2009

Acústicos e Valvulados – Remédio

outubro 12, 2009

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Save the cheerleader, save the world!

outubro 12, 2009

savethecheerleader

I´M AGAINST NATURAL BIRTH DELIVERY”, foi o que pude ler logo abaixo da estampa que mostrava um surfista, enfrentando uma onda gigante, em algum lugar do Hawaii. As letras brancas garrafais e impactantes e a forma como a frase estava colocada, certamente valorizavam a camiseta do sujeito que a usava. Mas, a partir daí, comecei a observar melhor as pessoas e a me perguntar o porquê de alguém, aparentemente equilibrado, sair por aí propagando que é “contra o parto normal”. O que mais me impressionou, no entanto, foi a afinidade entre a estampa e a frase. De onde tiram isso, meu Deus? Vasculhei o cérebro à procura de alguma interpretação que conseguisse me explicar aquilo, mas meus esforços foram em vão.

Mal sabia que estava prestes a levar outro susto, bem maior do que o primeiro. Parado no mesmo lugar, em menos de dez minutos, me deparei com: “DIZZY FIGHTERS FOR A BETTER URBAN SWAMP”. Como se já não bastasse o surfista a favor de cesarianas, agora temos uma mulher que se acha parente do Shrek – no momento, talvez a única comparação plausível para uma pessoa que defenda os alagadiços. “Lutadores tontos por um melhor pântano urbano”. As letras manuscritas, rebuscadas e brilhantes – acho que aquilo era glitter – e a imagem de uma águia careca, acabaram ditando a moda e disfarçando a mensagem. Mas como lutadores tontos podem defender um pântano? Ainda mais urbano. Estariam bêbados? Não. Devem ter labirintite. É isso e não se fala mais no assunto.

Diante de situações como essas, ficamos sem saber em quem colocar a culpa. Em quem faz? Em quem vende? Ou em quem compra? Tenho vontade de chegar para algum desses “elos da corrente” e perguntar o porquê disso tudo. Espantoso vai ser se conseguir uma explicação convincente.

Talvez fosse hora de criar uma lei que obrigasse a inclusão das frases traduzidas, nas etiquetas. Pelo menos o uso seria mais consciente. “I´M A GOUDA CHEESE EXPORTER!”. E daí? Todos precisam saber que exporto queijo gouda, oras! Vou levar essa.

O fato é que eu gostaria de saber como é o processo criativo destas camisetas. Será que pegam as frases aleatoriamente, só por acharem que tem uma boa sonoridade? Claro! Só pode ser assim! Uma frase sonora – em inglês (ou outra língua equivalente), uma imagem de impacto, tendências têxteis abstratas  e voilà! Benvindo ao nonsense style wear!

Aqui, aproveito para deixar uma sugestão. Não seria mais proveitoso usar o espaço para transmitir mensagens mais diretas, positivas, de incentivo ou advertência? “BEWARE! I´M AN OGER!” ou “I´M A RAINFOREST PROTECTOR”. Até receita de soro caseiro e instruções de primeiros socorros, viriam a calhar. E que estejam acompanhadas por cenas de esportes radicais. Quem se importa? O principal é dar o recado.

Aliás, vendo a situação por outro prisma, chegamos à conclusão de que mentes mais diabólicas poderiam usar destas artimanhas para disseminar mensagens subliminares. Mesmo em cirílico ou ideogramas que ninguém entende. Hieróglifos, talvez.

Mais tarde voltarei a falar nisso, pois minha coletânea de frases aumenta a cada dia. E se quiserem transformar em hobby a observação de camisetas, sintam-se à vontade para postar as frases mais interessantes aqui nos comentários.

E confesso! Acho que usaria uma camiseta com as inscrições “SAVE THE CHEERLEADER, SAVE THE WORLD”! Não tanto pelo nonsense cult, mas pela Hayden.

Em tempo: É “save the cheerleader” e não “shave the cheerleader“, como já vi por aí!


Guitarman

setembro 22, 2009

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The Best Commercial Ever

setembro 21, 2009

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